Ultimamente tem-me surgido muito à mente o porquê das pessoas que eu conheço e conheci, terem cruzado a minha vida. O porquê de as ter conhecido, em que é que isso me mudou e o que mudei eu na vida dessas pessoas.
Hoje, depois de mais um dia/noite em que venho das minhas abençoadas aulas de Teoria Básica J (uma disciplina do curso de MTC e que um dia eu explico porque são abençoadas), depois de cumprir a rotina que a estas horas se exige (como diz a minha irmã - chichi camaJ), assaltaram-me à mente várias questões, para as quais muito depressa quis encontrar a resposta. Encontrei-as, mas não foi depressa. A verdade é que essas respostas demoraram 26 anos a ser por mim encontradas e penso que ainda há algo que possa ser acrescentado. Passo a explicar.
As pessoas entram na nossa vida e de alguma forma marcam-nos e influenciam o nosso crescimento e a pessoa em que nos tornamos. Isto é ponto assente pela maioria. No entanto há aquelas pessoas que permanecem ao longo no nosso percurso e onde a relação que temos com elas vai-se fortificando. Outras, porém, que apenas estão a nosso lado em determinadas partes desse percurso. Porque? Eu sei que a nossa vida muda e, com essa mudança, há afastamentos e separações, mas então porque permanecem alguns e outros não?
No outro dia consegui, ou pelo menos de momento eu penso que sim, encontrar uma
explicação para algumas pessoas terem aparecido na minha vida. Obviamente que falo das que me marcaram de alguma forma. Apercebi-me que elas contribuiram para agora eu estar a viver um momento bom da minha vida, sem olhar para trás. De uma forma ou de outra, caminharam comigo e ajudaram-me a construir a minha personalidade, a enfrentar os meus medos, a ajudar-me nas minhas decisões de tal forma que hoje sou uma pessoa seguramente diferente. Neste momento, sinto essa diferença de forma positiva e, olhando para trás, vejo os tempos, as pessoas e os momentos com elas vividos a “encaixarem” na perfeição, como se fosse um puzzle. Há coisas que não podiam ter tido um melhor timing, senão impediria que o passo seguinte fosse dado. Ter esta percepção é algo muito bom, nem sempre fácil de alcançar e, por vezes, o que sentimos mesmo é um conjunto de acasos que, achamos nós, não significam nada na nossa vida. Como se costuma dizer, “não aquecem nem arrefecem”. Mas isso não será um pouco viver sem sentido do que se vive? Não será isso pior?
Não acho que de repente devemos sair por aí a dar sentido a tudo e mais alguma coisa. Neste momento já não acredito em acasos, mas há coisas que não estão ao nosso alcance de ser percebidas ou, pelo menos, de o ser para já. Há sincronicidades que só nos apercebemos delas muito mais tarde e só aí lhes atribuimos o devido lugar.
Bem mas já me dispersei. Voltando às pessoas e ao significado delas nas nossas vidas. A questão que hoje impulsionou a minha escrita foi muito simples: será que as pessoas que já sairam da minha vida, seja porque motivo for, teriam lugar nela agora? Isto é, não estarei também eu tão diferente que a relação com essas pessoas já não teria sentido? A verdade é que todos os dias nós mudamos, crescemos interiormente e aprendemos alguma coisa. Será que, por exemplo, as pessoas que eu conheci na minha infância e que depois, por motivos adversos, se afastaram, podem dizer que me conhecem, se me encontrarem agora? Será que têm sequer lugar na minha vida agora?
Há pessoas que eu sei que, por mais que me afaste fisicamente, por mais que mude e conheça outros mundos, vão sempre conhecer-me e ter lugar na minha vida. São os chamados amigos verdadeiros? Ou são as pessoas que realmente deixámos entrar inteiramente na nossa vida?
Há já alguns filmes sobre este tema, não o inventei eu, nem pretensão tinha disso J. Filmes onde se aborda a problemática dos homens que foram para a guerra e quando voltaram, cheios de toda a dor e terrores porque passaram, não conseguiram “encaixar” novamente na família que deixaram. As suas mulheres também já não os reconheciam, poderiam elas continuar a amá-los?
Há depois um filme muito bom que quem puder ver, é uma lição real de vida: “Salvo pela Luz”. Um filme genial e que, além de outros, aborda também este tema. Não é o tema principal, mas também lá está. Se puderem, vejam.
Bem por hoje é tudo. Fico muito tempo sem escrever e depois sou uma “tagarela” de letras J.
Boas leituras para todos.