Tecnologia
Olá a todos,
Hoje quando vinha a caminho do meu trabalho e ao recolher o que já se tornou o meu jornal diário – Metro Directo – deparei-me com a notícia de primeira página onde indicava que 12% dos jovens espanhóis vivem dependentes do telemóvel.
A minha primeira reacção foi pensar: “só!”, mas logo mudei de opinião ao ler a notícia e ver que a palavra “dependência” era mais correctamente modificada para “escravatura”. Ou seja, 12% dos jovens está obcecado pelo telemóvel e pela internet.
De tal forma, que são mesmo comparados com pessoas adictas às drogas, num estado tal que a única coisa com que a sua mente se ocupa é: como consegui-la e consumi-la.
É assim que estão 12% dos jovens espanhóis – tecnologicamente dependentes. Gostaria de saber dos jovens portugueses.
Ainda referente às novas tecnologias, ouvi no outro dia a notícia de que existe um mundo virtual, criado desde 2003 por Linden Lab, designado de Second Life. Pois é, tal como o nome indica, uma segunda vida que nasce num mundo virtual.
Quando uma pessoa se inscreve, neste espaço, passa a ter uma personagem que se encontra “activa” durante o tempo que essa pessoa está na internet a “jogar” o Second Life. Ao contrário de um jogo normal, a personagem criada não ganha pontos nem há vencedores. Neste mundo ela “vive” como se da realidade se tratasse, conhecendo pessoas, trabalhando, modificando a sua área de habitação conforme mais lhe agrade, entre outras coisas. Pode mesmo casar no mundo virtual, com uma outra personagem desse mesmo mundo. Relembre-se que essas personagens só existem porque à frente do computador está alguém que lhes dá vida.
Neste momento existem, nada mais nada menos, que 3.115.535 habitantes virtuais. Para muitos, este mundo não é mais do que um fugir da sua pessoa real. Neste mundo podem ser quem queiram, podem fazer o que na realidade não teriam coragem. É um escape, um “viver de avestruz”, colocando a cabeça debaixo da terra para ver se do outro lado está algo melhor. Para outros, isto é considerada uma oportunidade de negócio, pois são feitas muitas transções virtuais, convertidas posteriormente em dinheiro real. Pois é, a verdade é que neste mundo existe uma moeda virtual, que facilmente pode ser convertida no mundo real por moeda real. Confusos? Eu também. Mas podem consultar o site http://secondlife.com/ onde podem ter um maior esclarecimento. Cuidado não se viciemJ.
O que me faz escrever sobre isto? Bem, na realidade isto preocupa-me bastante. Daqui por uns anos, ou é criado o grupo dos TA – tecnologicodependentes anónimos (pensem em outros nomes) – ou então passámos todos a cumprimentar-nos virtualmente e a viver agarrados a esta máquina e à internet.
Gosto muito dos avanços tecnológicos e a verdade é que coisas como messenger, mail, skypes, etc, fazem com que mais rapidamente possa estar em contacto com amigos e familiares. No entanto, tornaram também tudo muito impessoal.
Concordo também que a internet facilita muito a nossa vida, na medida em que quando precisamos saber alguma coisa recorremos aos diversos sistemas de busca aí existentes. Eu por mim gosto de complementar com uma pesquisa por uma biblioteca, onde o cheirinho a livros e o desfolhar das páginas sempre me encantou.
No entanto, há sempre os dois lados de uma moeda e o que pode ser benéfico quando usado de maneira racional, pode também deixar de o ser quando não se conhecem limites.
Sinceramente que me preocupa que, daqui por uns anos, quando chegar a casa, para poder falar com o meu filho tenha de estar online, com a minha personagem virtual. Quem sabe, nesse mundo virtual o meu filho até tenha outros pais… a ideia arrepia.
Ou, pode também dar-se o caso de, daqui por uns anos já nem sair de casa. Hibernar permanentemente comunicando apenas através de telemóveis, messengers, e-mails, transferências online, mundo virtual…
Pois deixem que vos diga, que ainda que não haja uma única pessoa no mundo real a sair à ruaJ estarei lá eu a apreciar o sol ou a chuva, o calor ou a neve, a brisa ou o vento, o chilrear dos passarinhos, o verde da relva, o azul do mar, entre outras coisas que este mundo real, felizmente, ainda tem. Sim, porque no mundo virtual, não se sente na pele, e por mais que eu tenha gostado de brincar com bonecas quando era mais criança, gostava de o fazer AO AR LIVRE.
Desculpem o extenso post. Continuação de boas leituras e… vivam realmenteJ


