Olá a todos,
ontem tive um momento mágico na minha vida que gostava de partilhar. Fui assistir a um concerto de um violinista clássico com um grande artista de guitarra espanhola (toca flamenco). A combinação, que à primeira vista pode parecer absurda, é simplesmente fabulosa.

Eu sou sincera, violino não me apaixona propriamente. Foi mais pela parte do flamenco que fui assistir ao concerto. No entanto, além desses dois grandes artistas, Ara Malikian – violino - e José Luis Montón – guitarra espanhola, estavam em palco mais três: um que tocava contrabaixo – Miguel Rodrigañez, outro tratava de toda a parte de percussão – Jorge Tejerino e ainda uma cantora – María Berasarte, na minha opinião, excelentes todos eles.
A verdade é que a música me prendeu de tal forma que o tempo passou a voar. Não foi só a mim porque eles tiveram de regressar duas vezes para tocar mais. Nunca me tinha sentido tão “presa” à música e a toda a magia que estava em palco. Cada momento preparado ao pormenor. A delicadeza com que Jorge Tejerino pegava em cada uma das peças da percussão e as fazia encaixar nos tempos devidos. Movimentos simples, mas que faziam toda a diferença.
A musicalidade, destreza, enfim, o dom que Ara Malikian tem, faz-nos amar o que se ouve logo desde as primeiras notas. Garanto-vos que ouvi duas melodias diferentes ao mesmo tempo, tocadas por ele naquele violino. Parecia irreal, mas estavam ali. Além disso, ele vivia tão
intensamente o que tocava que por várias vezes saltou na sua cadeira, elevou os pés para os pousar frenéticamente, enfim, todo ele era expressão e emoção.
E a forma como José Luis Montón encaixava na perfeição nos tempos devidos e fazendo com que a melodia tivesse todo o sentido… indescritível.
Para mim todo o concerto foi magia e emoção. Saí de lá a querer comprar o CD. Se estivesse à venda cá fora comprava mesmo. No entanto, tenho de reconhecer dois momentos altos dos concerto (na minha opinião). Um deles foi quando tocaram “Estranha forma de vida”, um fado de Amália Rodrigues. Confesso que temi que estragassem o fado. Não os músicos, esses já tinha visto do que eram capazes, mas foi cantado pela artista José Luis Montón, que é espanhola. Confesso que estava um pouco céptica em relação a como iria soar o fado cantado em espanhol. Bem… qual não é o meu espanto quando oiço o fado cantado em bom português. Ah pois é! Se tivesse entrado naquele momento no teatro pensaria que se tratava de uma artista portuguesa. Excelente, mesmo, até me emocionei.
Depois o outro momento muito bom foi a penúltima música (era para ser a última mas o público não deixou). Eu conheço a música mas, até agora, não descobri de onde. É magnífica e realmente a combinação dos dois instrumentos principais, esteve no seu melhor.
Enfim, foi um serão muito bem passado. Fui para casa com a alma leve mas preenchida. Hoje li no jornal, de manha, que têm vindo a utilizar a música como forma de ajudar na cura de crianças nos hospitais. Periodicamente fazem concertos ao vivo de vários tipos de música. Segundo a notícia, a experiência já tinha dado os seus frutos.
E realmente, como pode não dar. É uma forma bem agradável de nos transportar para locais diferentes e de nos alegrar a vida. Sinceramente não imagino, nem quero, a minha vida sem música. É a única coisa que gosto em todos os momentos da minha vida, pois a sua diversidade permite isso.
Boas leituras para todos.