Monday, July 23, 2007

Conhecer alguém

Olá a todos.

Quando é que realmente conhecemos alguém? Esta é uma das questões que nos colocamos continuamente, sobre as pessoas que estão à nossa volta e que connosco interagem. Os amigos, será que os conhecemos? E o que é conhecer-los, significa que já sabemos as suas reações, os seus pensamentos, que nada do que possam fazer nos possa surpreender? Mas se até mesmo nós nos surpreendemos constantemente. Tomamos decisões, mudamos de opiniões, agimos muitas vezes de forma que “não nos conhecemos”. Entao como esperar que  não aconteça aoutra pessoa se nem nós somos assim tão lineares.
Um dia uma amiga minha disse-me: “só conhecemos as pessoas quando tudo o que temos termina”. Naquele caso ela referia-se a um casamento, em que a mulher só soube realmente como era o marido, quando se divorciaram. Mas será verdade isso? Será que podemos ignorar os anos, ou mesmo apenas meses em que estivemos com aquela pessoa e depreender que tudo o que vimos, ouvimos e demos por mais ou menos seguro era uma mentira?

Não sou tão extremista. Senão teria de pensar o mesmo sobre mim, pois cada dia, mediante uma situação diferente, perante uma novidade do que eu tinha por conhecido, também eu mudo, também eu ajo de maneira distinta à que julgava ser a minha maneira de agir.

Para mim é isso que acontece. Nós conhecemos as pessoas mediante determinadas situações. Quando estas situações mudam, essas pessoas e nós também mudamos e por isso adquirimos um novo conhecimento sobre nós e sobre os outros.
Não quer dizer que o que conheciamos esteja errado, simplesmente existia perante uma outra situação que se modificou.

As pessoas são como camaliões. Adaptam-se ao que se passa à sua volta e por isso, às vezes dá-nos a ideia que passámos a ver uma pessoa diferente. Realmente pode haver transformações radicais e mudanças que nos fazem pensar que já não conhecemos essa pessoa. Mas um dia, numa determinada situação e pela convivência que se tinha, nós conhecemos um pouco dela. Não foi um erro, a nossa vida não foi um engano em relação ao que vivemos. Simplesmente as coisas mudam e mediante isso compete a nós saber se toleramos ou não essa mudança.

Há uma frase com a qual concordo inteiramente: “nunca conhecemos inteiramente uma pessoa”. Eu acrescento que, igualmente, nunca nos conhecemos por inteiro. Mas, para mim, os pormenores e as pequenas coisas que nos apercebemos nos outros, fruto da convivência e da troca de experiências, é o que vai, ao longo da vida, definir o nosso conhecimento perante eles.

Bem, com este post me despeço durante uns dias para gozar em cheio as minhas férias. Vai saber muito bem mesmo. Há locais e pessoas que quero ver e com quem quero estar e que espero que não tenham mudado muitoJ. Mas mesmo que isso tenha acontecido eu sei que, os braços que me acolherem são os que eu quero que me acolham e nas mudanças que existirem encontrarei igualmente um lugar só meu. Uma coisa sei que não mudaJ e que estará lá para me receber: o meu mar. Vai ser presença constante nas minhas férias mas há uma praia em particular que eu não vou deixar passar sem a verJ.

Fiquem bem, continuação de boas leituras e depois eu prometo colocar fotosJ

 

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Wednesday, July 18, 2007

A ilusão

Olá a todos,

hoje em conversa com um amigo surgiu a frase:

A esperança é a ilusão de quem quer continuar a sonhar

Estavamos a falar que muitas vezes as pessoas vivem “presas” a uma ilusão fruto de algo vivido no passado ou de um desejo do que se quer viver no futuro.
Quando nos agarramos ao passado e criamos essas ilusões, vivemos com esperança que se repitam ou pelo menos que voltemos a ter determinados momentos, experiências que, de certa forma, nos deram felicidade e alegria ou mesmo para que possamos alterá-los. Constroí-se a ilusão de que tudo nesse momento passado foi bom e nos trouxe essa felicidade e alegria mas nem sempre é assim. Por vezes, pela selectividade que tem a nossa memória, esquecemos também as coisas menos boas desses momentos e que nos fizeram avançar e estar num novo rumo.
Criamos também a ilusão de que mudariamos muitas coisas em alguns desses momentos. Mas a vida dá-nos uma oportunidade e se reagimos de uma maneira então sempre o fariamos.

Quando a esperança é em algo que nunca tivemos mas que sempre ambicionámos, temos igualmente a ilusão de que se o alcançarmos teremos a felicidade ou pelo menos alguma paz e alguma tranquilidade. Mais uma vez, e tal como o nome indica, não é real. Se acontecer, se conseguirmos realizar e materializar essa ilusão, teremos também de nos enfrentar às coisas menos boas, às mudanças que serão introduzidas na nossa vida. Mais, por vezes estamos tão obcecados com um conceito e com a definição do que queremos que não aceitamos as contrariedades que possam vir. Ou seja, nem sempre (quase nunca mesmo) as coisas, os momentos, as situações acontecem tal e qual como imaginámos, como esperávamos que acontecessem. E quando temos uma visão tão ilusória não somos capazes de nos aperceber que, ainda que o resultado não tenha sido exactamente como esperávamos nem da maneira que haviamos pensado, é igualmente bom e é válido. Não valorizamos esses momentos, essas ilusões tornadas realidade, simplesmente porque não seguiram todas as trajectórias desejadas.

Mas o bom da vida é isso mesmo. O inesperado, as adversidades, as curvas e obstáculos no caminho. É tudo isso que transforma a nossa ilusão na realidade. Uma realidade que nem sempre é a que pensávamos querer mas que devemos igualmente alegrar-nos com ela.
Viver na ilusão é viver em constante agonia de nunca ter aquilo que já se tem. É não saber que se tem o que se queria e acabar por criar uma nova ilusão quando se perde: uma ilusão do passado.

A realidade misturada com a ilusão, em doses certas, dá-nos a oportunidade de apreciar e viver todas os momentos. Não é fácil manter esse equilíbrio, nunca é. Ao longo da vida vamos coleccionando experiências que nos ajudam a tornar essa balança mais equilibrada. Mas às vezes a sensação que tenho é que as experiências apenas nos fazem cair nos mesmos erros de maneira diferente:) e não evitam a queda.

No entanto, continuo com a esperança (ou ilusão) que não cometerei os mesmos erros ou, pelo menos, que não os cometerei tão cegamente.

Continuação de boas leituras.

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Tuesday, July 17, 2007

Mafalda Veiga

Olá a todos,

Hoje partilho convosco uma música que, de algum modo, me diz bastante. Gosto muito desta cantora pela simplicidade das músicas, das letras e da sua voz.

Espero que gostem.

Um Pouco de Céu

Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe
Senti que este chão

Já não tinha espaço
Pra tudo o que foge
Não sei o motivo pra ir
Só sei que não posso ficar
Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar

E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre
Aqueles que são
Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente

Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu

Só hoje esperei
Já sem desespero
Que a noite caísse
Nenhuma palavra
Foi hoje diferente
Do que já se disse
E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim

Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar

Um pouco de céu
Um pouco de céu

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Friday, July 13, 2007

“Porque é q eu não sou tu e tu não és eu”

Olá a todos,

hoje apenas lanço aqui algumas questões simples, de importância pouco relevante, mas pode ser que dê que pensar.

Porque muitas vezes desejamos ter a vida de outras pessoas? Não me interpretem mal, mas em algum momento da nossa vida já nos passou pela cabeça: “que sorte que ele/ela tem, se fosse eu…”. Não que invejemos ou desejemos mal a essas pessoas. Bem um pouco de inveja sim, claro que é. Mas pode sempre ser daquelas invejas saudáveis, que não prejudica ninguém, apenas é um desejo nosso e para nós fica.
Os mais novos desejam já ter a vida dos mais velhos que estão ao seu lado; os mais velhos desejam voltar à idade dos mais novos; uma pessoa que tem muitas coisas na vida, por vezes, deseja ter o sorriso e a paz que outra, com muito menos bens materiais, tem; alguém em início de carreira deseja ter já o sucesso de outra com mais anos no ramo… Bem, nem vou entrar por casos mais extremos que não vale a pena.

Mas será que estamos realmente dispostos a “trocar de vida”? Ou será que apenas queremos o que achamos bom, da vida dos outros, e o resto atiramos fora? Mas isso não será ficar incompleto?

A minha opinião é que cada pessoa é completa com o bem e o mal que nela existe e sobre ela opera. Não se pode, nesta vida, apenas escolher as coisas boas sem levar também as más. Se realmente fosse possível “trocar de pele/pessoa” ficariamos com as coisas boas que a outra pessoa tem mas também teriamos de suportar as más.

Por isso penso que nos devemos alegrar com o que temos, sem nunca deixar de lutar pelo que acreditamos e pelo que desejamos/sonhamos. Não devemos ser pessoas conformadas com a vida mas menos devemos tentar alcançar as coisas desesperadamente. Tudo a seu tempo. Há que subir lentamente para que se possam saborear todos os passos. Há que saber quando se pode avançar em direcção ao objectivo ou quando devemos recuar, aceitando os obstáculos e usá-los como força para voltar a caminhar.

Boas leituras para todos.

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Thursday, July 12, 2007

Em outros recordo…

Quando vageio pelas ruas da vida
E um casal enamorado prende meu olhar
Recordo a paixão que contigo partilhei.
Aquele abraço cheio de carinho
Podia ser o nosso abraço sentido,
As mãos dadas num hábito desapercebido
Podiam ser as nossas, outroras também unidas,
O olhar de admiração e paixão
Lembra o que por nós já foi trocado,
O roubo de um beijo
Faz-me sentir o gosto dos teus lábios nos meus.
Toda a dança e encantamento
Faz resurgir a tua imagem em minha mente
E acende a fogueira da saudade que sinto de ti.
Mas tu partiste
E contigo teu corpo e alma levaste…
Ficou apenas a lembrança em mim
De estar a teu lado de mão dada,
Deitar-me em teu regaço,
Sentir o teu abraço
E de, com uma expressão traquina,
Tentar fugir do beijo por fim roubado.

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Wednesday, July 11, 2007

Fragmentos perdidos no Universo

Olá a todos,

Ultimamente tem-me assaltado à mente uma questão, não muito importante, mas que me deixa curiosa. Se é verdade que podemos ficar imortalizados numa fotografia, então isso significa que por vezes percorremos mundos e somos recordados por quem nunca nos conheceu quando, por acaso, nos tiram uma foto na rua. Por exemplo, alguém que esteja a tirar uma foto a uma paisagem e nela se encontram diversas pessoas, que não conhece, essas ficarão para sempre imortalizadas nessa foto. Além disso, sempre que for exibida a foto, estão lá também essas pessoas anónimas que são vistas. Então que significa isso? Que temos uma parte de nós, um momento que era nosso, exibido e visto por pessoas completamente desconhecidas para nós? E se esse momento foi para nós algo especial. Significa que em alguma parte deste universo está uma recordação, uma perpectuação daquele momento?

Aqui há uns tempos (na verdade penso que já passou mais de um ano) estava eu na praia a passear com um amigo, num daqueles dias em que os nervos te afloram e só mesmo o mar te pode acalmar. Tenho na memória o entardecer um pouco cinzento (como o meu estado de espírito), os meus olhos húmidos das lágrimas que teimavam em cair e o ombro amigo que me levou até esse lugar, onde o cheiro a maresia, o rebentar das ondas e o som do mar me ia lentamente acalmando. Ao nosso redor apenas se via uma pessoa, com a sua máquina a tentar tirar o maior partido daquela paisagem. A certa altura, pediu-nos, em silêncio, para posarmos para a fotoJ. Na minha cabeça só passava a imagem de meus olhos brilhantes de água o meu nariz verrmelho de me assoar. Assim, para que a minha tristeza não estragasse a paisagem, escondi minha face em seu regaço e num abraço ficou assim perpectuado aquele momento.
Não me perguntem porque, mas essa foto perdida no espaço e no tempo, tem-me passado mil e uma vezes pela cabeça. Onde estará? Como terá ficado? Será que transmitiu aquela amizade, aquela paz do lugar? Será que quem a tirou, e provavelmente a colocou como mais uma de uma coleção de fotos,  tem a noção da importância daquele momento, dos sentimentos contrários que ali estavam? Da turbulência que ia em mim e no mar, do aconchego daquele abraço, qual mar a beijar a areia?

O mais provável é que tenha sido somente mais uma foto para o seu autor. Mas a verdade é que imortalizou um momento que também em meu pensamento não desvaneceu.

O que possivelmente acontece é as coisas desaparecerem e não terem qualquer significado para o Universo. Mas eu gosto de pensar que nesse Universo há momentos imortalizados que possam transmitir e contar um pouco da história de todas essas pessoas anónimas, mas que viveram aquele momento exacto.

Continuação de boas leituras.

 

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Monday, July 9, 2007

Conversa de jardim

Olá a todos,

no outro dia, estava eu sentada num dos bancos de um dos jardins que me encantam aqui em Salamanca, quando se sentam duas mulheres à minha frente. Quantas vezes já não fiz eu o mesmo com algumas amigas, sentar-me num banco/sofá a falar de tudo e nada (ainda neste fim-de-semana o fiz sentadinha nos sofás do Glicineas a saborear uma boa bolacha americana com ovos moles e canelaJ).

Entre muitas conversas interessou-me particularmente uma delas. Não é que eu estivesse propriamente a “cuscar” mas a verdade é que, como não me conheciam, não se intimidavam de falar num tom mais audível.

A certa altura diz uma delas:

“A minha especialidade são relações impossíveis. Ora gosto de uma pessoa mas ela não vê minimanente o meu interesse, ora envolvo-me com outra e descubro que há uma terceira pessoa, mas que no fundo sou eu que estou a mais. Se tudo está em sintonia acontece não ser a altura indicada ou porque à minha volta as minhas amigas estão sem ninguém, e eu acabo por passar mais tempo com elas do que com a pessoa que devia, ou há uma distância enorme entre nós que não me permite viver o paixão plenamente ou então os meus planos estão tão definidos que não há espaço para mais ninguém. E depois tem os amores passados que sempre me assombram quando algo está a entrar nos carris… Não entendo, porque não consigo que o mundo e eu estejamos em sintonia”.

A sua ouvinte (não eu mas a que penso ser sua amigaJ) como só uma amiga pode aconselhar virou-se para ela e disse-lhe “a mim parece-me mais que tu é que buscas a impossibilidade nas relações por medo de seres feliz e de te entregares verdadeiramente a alguém…”

Aquelas palavras martelaram-me na cabeça. Mas então não é suposto andarmos nesta vida numa constante procura do que nos faz felizes? Então porque é às vezes tão complicado darmos tudo de nós para encontrarmos essa felicidade? Porque fugimos e nos escondemos dessa felicidade quando, no fundo, é a ela que procuramos?

Não sei, a verdade é que se ouve algumas vezes dizer “estou tão feliz que até tenho medo desta felicidade toda”. Ou seja, vivemos a felicidade sempre com o medo do que pode estar no outro lado da moeda e muitas vezes não aproveitamos em pleno o momento que estamos a viver porque estamos sempre a pensar “o que é bom termina depressa”…
Termina sim, é verdade, tal como termina também o que é mau. A felicidade e a tristeza fazem parte da nossa vida. Na minha humilde opinião, sempre consideri necessário a existência das duas. Se tudo fosse um “mar de rosas” nunca nos saberia tão bem os momentos de felicidade que temos. Os momentos menos bons fortalecem-nos, tornam-nos pessoas melhores e mais preparadas para a vida. Além disso, devem servir para que aproveitemos ao máximo quando chega a vez da felicidade, sem que pensemos no que pode vir a seguir, porque é o presente o momento em que vivemos e não o futuro muito menos o passado.

Às vezes, nas conversas que tenho com uma grande amiga, dizemos sempre: “isto aconteceu por alguma razão”. Matemáticas como somos tentamos sempre dar uma lógica às situações e ao que nos aconteceJ. Mas a verdade é que, quase sempre, encontramos a explicação. Pode demorar mais a aperceber-nos dela, pois os acontecimentos têm o seu ritmo e as acções por vezes demoram a provocar as reacções. Mas sempre conseguimos encontrar esse “fio da meada” que nos permite afirmar com convicção que não é o acaso que provoca as situações. Mas isto somos nós, estudantes do que se pode provar e demonstrar e meninas/mulheres procurando sempre uma razão para as coisas da vidaJ Sagitarianas de gemaJ.

Bem, por hoje teminam as conjecturas e reflexões. Espero que tenham tido todos um bom fim-de-semana e que estejam preparados para esta semana de trabalho/férias que se inicia hoje.

Continuação de boas leituras.

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Wednesday, July 4, 2007

Presença sentida

Mesmo que já aqui não estejas
Toda eu sinto a tua presença.
As tuas mãos ainda tocam meu corpo
Meus lábios ainda sentem o sabor dos teus.
Mesmo não adormecendo a teu lado
Minha cabeça descansa em teu regaço,
Meus cabelos ainda têm as tuas carícias,
O teu perfume ainda se faz sentir…
Ainda abro os meus olhos para encontar os teus
E num grito mudo tentar pedir-te
Que fiques, que não me deixes, que venhas comigo,
Que prolongues todo este momento
De prazer e emoção…

 

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Tuesday, July 3, 2007

Congresso E-DUCA

Olá a todos,

Na semana passada, nos dias 28, 29 e 30 de Junho fui assistir a um congresso em Peñaranda de Bracamonte, sobre a utilização das “novas tecnologias” no ensino/aprendizagem. Não, eu não sou professora e a única tentativa que tive em dar aulas foi por obrigação. Há pessoas que nascem talhadas para uma determinada profissão e outras que não. E no que diz respeito ao ensino, definitivamente não é o meu campo. No entanto, como profissional no mundo das tecnologias e da informática e como pessoa curiosa e sempre disposta a alargar os meus horizontes, lá fui eu para o congresso.

Além disso, dado já ter trabalhado num projecto que tinha como um dos seus objectivos a introdução das tecnologias na sala de aula, apoiando e fomentando a aprendizagem da tão “mal vista” matemática, foi também um pouco de curiosidade o que me levou a estar entusiasmada com o congresso. A verdade é que também queria saber como estava a ser levada aqui em Espanha essa “luta” para introduzir as tecnologias nas escolas.

Conclusão geral? Bem, não está muito diferente de Portugal. Saí do congresso com a mesma sensação que tantas vezes os professores me transmitiram a mim e a colegas meus. Ou seja, o congresso foi bastante informativo e elucidativo sobre o que já existe para apoiar os professores e as ferramentas que estes podem utilizar para aliciar os seus alunos e transmitir-lhes de forma mais criativa e mais interessante os conceitos que devem aprender. No entanto, no que diz respeito às condições nas escolas para se poderem aplicar essas tecnologias, ainda muito pouco foi feito e, por isso, estas acções acabam por se “perder no tempo” quando não se conseguem aplicar. Claro que, equipar uma escola deve ser acompanhado de formação do pessoal docente, pois só assim se conseguirá tirar maior partido do que a tecnologia pode oferencer. Mas tudo isso deve ser, na minha opinião, feito mutuamente ou pelo menos em espaços temporais relativamente próximos. Senão vejamos: temos a tecnologia e os programas que nos podem ajudar mas não sabemos trabalhar com eles. Acabamos por desmotivar e pôr de lado essa tecnologia. Por outro lado, temos o conhecimento e o entusiasmo, despertado num dado momento pelas formações e experiências de outros, mas não conseguimos aplicá-lo: acabamos por nos esquecer do que aprendemos e voltar ao “velho e antigo” método que “dá menos dores de cabeça”.
Acreditem, nisto eu falo com alguma experiência. Nos dias que correm é preciso criar condições mínimas para que os professores se sintam motivados. Claro que há excepções e há professores que se motivam sozinhos. Mas até estes, quando lutam demasiado tempo contra a maré, acabam por perder algumas das forças.

Sim, escrevo sobre os professores e não sobre os alunos porque estes últimos já nascem motivados para a tecnologiaJ. No entanto, no congresso, uma das minhas “aulas práticas” foi direccionada a ferramentas que se podem dar a conhecer aos alunos para que estes possam, através delas, aprender e também ensinar os seus colegas. Claro que sempre acompanhados pelo professor e sempre dentro dos objectivos que este estabelece.

Bem, isto era para ser um resumo geral. Tendo em conta que foram três dias não me alonguei muitoJ Mas ainda não acabou.

Na verdade, deparei-me ao segundo dia com aquela que eu apelido de um exemplo de professora. Sem grandes descrições apenas escrevo mais ou menos o que ela disse: “quando me dão a escolher as turmas na escola sempre quero ficar com a que tem alunos com mais dificuldades, mais desinteresse e mais problemáticos. Porque aos bons alunos qualquer professor dá aulas. No entanto, não há maior alegria para um professor que ver a evolução de um aluno por quem quase ninguém aposta”.

Ainda antes mesmo de entrar pelas tecnologias esta professora já fazia autênticos malabarismos para ensinar a lingua inglesa aos seus alunos. Bem, realmente só estando lá para ouvir e ver o entusiasmo com que ela falava das diversas formas que lhe ocorriam para os icentivar.
No entanto, com o passar do tempo, sentiu necessidade de utilizar as novas tecnologias para a ajudarem com as suas ideias. E assim, de uma professora com “receio de um computador” e que, segundo ela, não percebia nada de computadores, passou a ser uma professora/pessoa dedicada a descobrir as potencialidades que a tecnologia pode oferecer. Depois de passar de programas em programas, sentiu-se confortável a trabalhar com o Flash e constrói, hoje, vários sites gratuitos que ajudam toda e qualquer pessoa a aprender uma lingua: inglês, francês, espanhol e anda a investir agora no valenciano.

Não que seja relevante mas para mim é ainda uma mais valia que esta professora tenha já os seus cinquenta e picos anos. Segundo ela “assim que as minhas filhas se formaram descobri que os dias têm muitas horas” e ocupou-as muito bem, na minha opinião.

Bem, se não fosse por tudo isto, o que conto em seguida fez-me ainda ter mais apreço por esta professora. É que, ao mostrar-nos os seus sites descobri que eu mesma tinha aprendido as minhas bases de espanhol num deles. Não imaginam a surpresa que tive, porque realmente o site está genial. Na mesma linha estão os sites das outras linguas.

Por isso, deixo aqui o link para a página principal que dá acesso aos mesmos. Pode ser que seja útil a alguém, quanto mais não seja que sirva de incentivo para que nas nossas profissões demos sempre o melhor de nós, pois só assim conseguimos tirar o maior partido do que fazemos.

http://clicknlearn.net/

Continuação de boas leituras.

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