Thursday, September 27, 2007

O fim de uma etapa

Olá a todos,

termina agora uma etapa da minha vida. Estes últimos 11 meses estive numa cidade linda, maravilhosa que me acolheu e me fortaleceu de uma maneira que nem eu pensava ser possível. A verdade é que a minha experiência por Salamanca passou, muito além do esperado, pela positiva. Saio daqui, não uma pessoa completamente diferente, mas com bastante mais informação e saber.
Durante estes meses passei por muitas fases. A primeira de todas, sem dúvida, foi um renascer e um encontro comigo. Cresci quer a nível profissional quer a nível pessoal e fi-lo numa cidade maravilhosa, onde cada dia que por ela passeava me surpreendia e me encantava com suas ruas, seus monumentos, sua história e seus jardins.

Encontrei pessoas maravilhosas por aqui, que me fizeram reforçar a esperança na raça humana. Pessoas que me acolheram e me ajudaram nesta minha aventura e que, com a sua personalidade, me ensinaram que a vida deve ser bebida como um bom vinho: com calma, tranquilidade, saboreando cada momento, sem esquecer nunca a sorte que temos em poder bebê-lo.
Recebi aqui também os amigos cuja amizade permaneceu e sobreviveu com a minha partidaJ. Outros mais, felizmente, também continuam comigo, apenas tiveram menos oportunidades de me visitar. Nesse aspecto posso considerar-me uma felizarda mesmo. Foram muito poucos os afastamentos e tudo o que aconteceu a nível de amizades apenas me fez ver com mais clareza determinados pormenores, que talvez os quisesse ocultar. Sinto-me menos inocente nesse aspecto, mas ainda conservo a inocência de quem sempre espera algo positivo e isso é bom.

Sinto, novamente, necessidade de descobrir novos horizontes e novos lugares. Quero arriscar em mudar completamente em relação à minha vida profissional ou pelo menos fazer alguns ajustes na mesma. Volto às minhas raizes e à minha terra pois sei que não há melhor ponto de partida do que o lugar que me viu nascer e crescer. É sempre um bom lugar de começo.

Seria impossível colocar em palavras tudo de bom que vivi e aprendi por estas terras e com estas pessoas. Por isso, não me alongo mais. Deixo-vos com um devaneio meu sobre esta cidade que me fica no coração e um pouco sobre a minha vivência aqui. Deixo também uma “reportagem fotográfica” com alguns dos passos que dei por esta cidade e com alguns dos que me acompanharam nesses passos (algumas fotos foram censuradas por razões óbvias às pessoas que presenciaram os momentosJ).

Adeus a Salamanca

Por estas ruas que percorro
A cada passo seguro que dou
A certeza do adeus se torna presente.
Tinha de me despedir de ti,
Para que sempre te possa lembrar
Como um dia te conheci
E me deixei enamorar.
Este passeio, que sozinha faço,
É um trajecto de intimidade,
Uma troca de pensamentos mudos.
O caminho, outrora de conhecimento,
É hoje a despedida já saudosa
De quem aqui se encontrou
E todas as suas forças recuperou…
Termina assim o nosso namoro
Com este último encontro.
Os segredos partilhados,
Para sempre serão guardados.
Contigo histórias e loucuras vivi
Mas também a calma encontrei,
Aqui cresci e aprendi
Ensinamentos que para sempre guardarei.
De ti me afasto e separo
Não porque deixo de te amar
Mas porque novamente tenho de voar.

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Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 11:51:42 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, September 26, 2007

Carta de amor

Escrevi-te uma carta de amor,
Onde colquei todo meu coração
Meus sentimentos mais puros
E, pelas linhas suaves do papel,
Fui-me despindo perante ti.


As palavras soltavam-se,
À medida que meu pensamento voava,
Percorrendo nossa história
Todas as sensações e emoções
Que juntos partilhámos.

Palavras apenas com sentido para ti
Pois só tu tinhas vivido também
Momentos únicos e fugazes
Mas de eterna lembrança
E profundo sentimento…

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Tuesday, September 25, 2007

Aniversário da Verdi

Olá a todos,

Este domingo celebrou-se mais um aninho da nossa querida Verdi. A Filarmónica que já está no coração de todos os Cambrenses e de quem por essa maravilhosa terra passa. É sempre um dia especial para a banda e de grande animação para quem dela faz parte. Apesar de todos os stresses e de estarmos ansiosos e desejosos de que tudo corra bem, passamos um dia bastante animado. Aproveitamos para pôr a conversa em dia com quem já não estamos a algum tempo, juntamos-nos a tecer altas tapeçarias de corte e costuraJ e disfrutamos de um dia em comunhão com os nossos amigos, familiares e demais, tendo como pano de fundo a cultura musical.

Este ano tivemos a presença de uma outra banda: Banda Filarmónica da Escola de Música de Atalaia – Lourinhã. Como é da praxe, antes de nos prepararmos para o nosso concerto, afinando os instrumentos e trocando as últimas impressões, assistimos a uma parte do concerto da banda convidada.

Na minha opinião, para uma classe tão jovem de músicos, está ali um bom grupo que agraça o ouvido. Gostei especialmente do naipe dos clarinetes, não por ser o meuJ, mas porque realmente se destacavam. Mas houve uma música que despertou em mim outro tipo de emoçãoJ: os meus devaneios. E ao som das notas e do embalo da melodia que me invadia, isto foi o que surgiu:


Imaginação

Aproximas-te…
Tão lentamente que mal sinto
O encurtar do espaço entre nós.
Tocas-me…
E tremo ao sentir-te tão perto.
Recebo o calor que vem de ti
E que aquece a minha alma
E o meu coração.
Invade-me uma vontade louca
De te beijar…
Olho-te mas sei que não posso. Em meu pensamento já te beijei
Com doçura e carinho
Teu corpo desnudei
E a ti me entreguei…
Êxtase que não quero controlar…
Cansada aninho-me no teu peito
E deixo teus braços
Rodearem meu corpo…
Uma leve sensação de paz
Invade o nosso redor
E, por fim, adormecemos…

Este ano, também, ouve uma novidade em relação às nossas músicas. Normalmente já acontecia o nosso antigo maestro fazer uma breve introdução às músicas que se iam tocar. Mas, este ano, foi algo mais profundo e documentado, com um toque poético que, só a pessoa que escreveu, sabe dar.
Então, antes de tocarmos uma música, ali estava a sua história, havendo mesmo uma parte de homenagem a Luciano Pavarotti. É engraçado que essas simples palavras fazem com que a música nos chegue e nos toque de maneira distinta. A música ganha vida, ganha uma forma, uma lógica. Tem corpo e tem um seguimento e um desenlace de emoções e sensações traduzidas. 

Uma vez tinha, num desses cursos de música em que participei, a professora de canto fez-nos isso com uma música (falha-me a memória para o nome). Contou-nos, antes da ouvirmos, o significado de cada parte da música, as paragens e mudanças de ambiente e sentimentos transmitidos. A verdade é que aquela música para mim nunca mais foi a mesma e, ao ouvi-la e ao tentar identificar todos os pontos que ela nos tinha indicado, todos os instrumentos se distinguiram nos meus ouvidos e pude apreciar cada pedaço com maior emoção e profundidade. Foi mágico mesmo.

O mesmo me aconteceu enquanto escrevia o meu devaneio. Não que a música tivesse a ver com ele, claro que não, mas ele é que se ia desenrolando ao sabor dela e cada parte ganhava a intensidade dos diversos instrumentos que se iam destacando a cada palavra que escrevia…Foi um bom momento, a juntar a todos os outros que, já é de praxe, serem bons.

Deixo-vos com uma foto deste grupo maravilhoso do qual me sinto muito feliz de fazer parteJ.

 

Boas leituras a todos.

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Friday, September 21, 2007

Sensação de mudança

Olá a todos,

Sabem aqueles dias em que acordamos com uma leve sensação de que tudo à nossa volta tem de mudar de lugar? Bem, secalhar não conhecem essa sensação. Pois eu sempre fui uma pessoa irrequieta por natureza, nunca tive muita paciência para estar num mesmo lugar durante muito tempo ou para conservar um espaço igual, por longos periodos. Por outro lado, sou uma pessoa que me dou bastante mal com mudanças… Não depois de esta estar feita, mas aquele meio termo em que não é nem deixa de ser… é do piorio para mim. Torno-me bastante rezingona e, para quem já me conhece, sim é possível ainda ficar mais.

Pois ultimamente aconteceu-me acordar com essa sensação: a de mudança. E, como menina temerária a mudanças, resolvi ignorá-la. O que me preocupou realmente foi que os dias passavam mas a sensação não, mantinha-se, tomava maior dimensão e começava mesmo a já estar a criar as mudanças.

O primeiro passo foi começar a dar-lhe ouvidos. Pensar nela, descobrir donde vinha, o que queria e como poderia entendê-la melhor. E aí descobri que a insatisfação se referia à minha vida profissional. A pessoal rapidamente verifiquei que se repetia, qual refrão de uma música que às vezes preferimos ignorar e passar à frente. Considero que nesta vida devemos ter um determinado equilíbrio entre o profissional e o pessoal, se um corre mal o outro acaba por ficar afectado de alguma forma. Como prezo bastante o equilíbrio na minha vida, decidi levar bastante mais a sério o que me andava a sentir nos últimos tempos.

Curiosamente, iam-me surgindo conversas com amigos e familiares que aumentavam e alimentavam esse bichinho que começava a saltitar dentro de mim. Realmente, às vezes ignoramos certos sinais que, quando estamos mais predispostos a eles, tomam uma outra dimensão.

Numa dessas conversas, apercebi-me que alguns felizardos desta vida acordam de manhã com aquela sensação de: “já começou o dia, já posso ir fazer o meu trabalho” (apesar de sempre se queixarem, mas isso é inerente à raça humana). Claro que não sou inocente e sei que nem sempre o fazem com essa emoção. Mas é um afortunado aquele que acorda e pensa com gosto no dia que vai ter no seu local de trabalho. Óbvio que por problemas todos nós passamos e nem sempre o que fazemos nos agrada a 100%. Mas se os dias bons são em grande maioria relativamente aos maus e aos medianos, eu penso que já é algo muito positivo.

Pois eu deixei de acordar assim em relação à minha profissão. Que faço eu? Um pouco de tudo no que toca à informática. Considero-me uma profissional suficiente para o meu trabalho, não sou grande idiota para as ideias geniais mas faço o meu trabalho e venço os meus desafios e os que se me propõem. Mas a verdade é que cansei-me de “falar” com um computador… Lembro-me que quando andava a fazer o mestrado, passava mais de 18h com ele (no trabalho e em casa). Sentia-me activa e, embora não me parecesse fazer nada de genial, gostava de enfrentar os pequenos problemas e as pequenas dores de cabeça que ele me dava. Era quase como um namoro, tinhamos os nossos bons e maus momentos, mas eu sempre lhe aceitei as coisas pois consegiu portar-se bem até ao fim do mestrado. Acho que por isso me custa tanto trocá-lo por um portátil e, apesar da sua imponente estrutura, trouxe-o comigo para Espanha, nesta aventura. Isso e o facto do seu ecrã de 17 polegadas dar um jeito enorme para ver filmesJ.

Adiante. O meu gosto pela informática estagnou. Não que tenha deixado de gostar das tecnologias e dos serviços que elas me prestam. Mas estar envolvida nelas deixou de ser um dos meus objectivos. Para ser sincera comigo e com todos, essa sensação já estava em mim há bastante tempo. Mas eu ignorava-a. Olhava para trás e pensava: “estás maluca rapariga, andaste a estudar tanto tempo uma área da qual te queres afastar? Não estás boa da cabeça…” e todo esse peso de consciência fazia com que, novamente, voltasse a sentar-me em frente ao computador e ganhar um gosto pelo que fazia nele. Um gosto que se ia desvanecendo até que se resumiu à facilidade com que me permite fazer certas e determinadas coisas que me facilitam a minha forma de vida. Mas deixou de passar disso mesmo, algo que eu pudesse usar no meu dia-a-dia para me facilitar a vida. Deixou de ser visto como a minha ferramente de trabalho.

E que faz um carpinteiro quando deixa de ver o martelo, pregos e afins, como seus instrumentos de trabalho? Pois não tenho nem ideia. Eu sei o que fiz. O primeiro passo: dar a conhecer à sociedade que “tinha elouquecido”. Que queria literalmente atirar para trás os anos de estudo no mundo dos computadores. Que não queria enverdedar por profissões bem cotadas a nível de orndenados (às vezes um erro mas ainda uma realidade) e que, pior de tudo, não tinha a mínima ideia do que queria fazer.
P
ois… digamos que algumas reações foram melhores que outras. Mas para já não está a ser assim tão mau esse reconhecimento.

O segundo passo foi, sem dúvida, começar à procura desses novos horizontes. Ainda estou nesse passo por isso não dá para tirar ilações. No entanto, já não me sinto no início. Já passei a fase do desespero, já decidi que tenho tempo e condições para pensar com calma e decidir com clareza o que quero para mim. Já optei por ir experimentando até me encontrar confortável em algo que esteja a fazer. Não precisa ser nada que me torne famosa ou milionária. Não tem de ser uma ideia nova ou genial. Precisa sim ser algo em que eu me sinta feliz, não todos os dias (não tenho essa ilusão) mas a maior parte dos dias. Algo pelo qual eu me levanto todas as manhãs com vontade de “pôr as mãos na massa”.

Penso que sou muito nova para acordar já aborrecida com o que faço. E também penso que ainda tenho idade e disponibilidade, a nível de responsabilidades, para arriscar e arriscar.
Alguns podem chamar-me utópica, que ambiciono o impossível. Ok, não me importo daqui por um ano estar de braços baixos, rendida à realidade de que o que ambicionava era impossível. Mas, penso que me culparia toda a vida por não ter corrido esse risco.

Portanto, e para terminar que já me alonguei, decidi dar ouvidos à sensação de querer mudar e tomar uma atitude um pouco mais radical. Claro que sei que, por baixo do trapézio onde quero dar os meus saltos, tenho uma rede que me apoia na queda e que me ajuda a levantar apenas com algumas sequelas, não graves. É confortável ter essa sensação que me é transmitida pelos amigos e também em parte, e à sua maneira, pela família.

Volto para dar notícias em breveJ

Boas leituras a todos.

 

Posted by Butterfly at 11:34:25 | Permalink | Comments (5)

Wednesday, September 19, 2007

As máscaras que usamos

Porque fingimos sempre ser quem não somos? Em alguma parte da nossa vida, em relação a alguma coisa dela, acabamos por nos mascarar de uma personagem que em nada tem a ver connosco. Ou a nível profissional ou pessoal. Porque?
T
entamos mostrar-nos mais independentes do que realmente somos, sem mostrar nossas carências e nossas fraquezas, só para que não tenhamos de lidar com a preocupação e o cuidado de outros. Mas depois sentimo-nos sozinhos por os outros nos verem assim, e realmente não nos apoiarem mais vezes. Ou então mostramo-nos mais frágeis do que realmente somos, só para que andemos sempre a ser levados nas mãos dos outros. É uma forma relaxante. Assim, se algo corre mal, sempre podemos culpar quem nos “carregou” no caminho que seguimos.


A verdade é que nos mascaramos a nós mesmos. Acabamos por acreditar na pessoa que vemos ao espelho e não vemos o que está por detrás disso. Mas é também real que com essas máscaras nos sentimos mais confiantes e mais seguros em determinadas circunstâncias. O pior é quando nos vemos claramente e sentimos o engano que vivemos.

É sempre mais fácil acreditar na parte negativa que dizem de nós do que na parte positiva. Quando não deixamos que as pessoas nos vejam como somos, elas interpretam-nos como nos vêm e acabam por nos caracterizar de tal maneira que acreditamos nessa personagem que criámos. Torna-se difícil sair dela. E às vezes saímos da maneira mais errada que podíamos, pois escolhemos o caminho inverso. Extravasamos e agimos de maneira completamente diferente da que esperam de nós. E aí não deixamos de ter uma máscara, apenas criamos outra que se coloca por cima. E assim vamos criando capas sobre capas sem que realmente nos deixemos descobrir.

Porque é assim tão difícil nos “desnudarmos” em frente às pessoas? Afinal de contas defeitos todos nós temos e, no seu estado puro, acabamos por ser iguais no mais básico do nosso ser. Todos nós temos medos, inseguranças, dúvidas… Todos nós damos as nossas facadinhas na vida e temos os nossos esqueletos no armário. Igual a todos os outros, também os nossos telhados são de vidro e por isso não devemos atirar pedras. Todos nós cometemos erros e fazemos ou já fizemos coisas que dissemos um dia nunca as fazer. Então se os outros são tão “iguais” a mim, porquê o medo em nos mostrarmos. Ou mesmo porque temos de ter tanto medo do que as outras pessoas pensam ou acham de nós. Porque temos de viver com esse peso e responsabilidade? Se nos criam e nos formam de certa maneira não deveriamos, a determinado momento, ser livres e sentirmo-nos livres? Então porque ainda temos tantas amarras.

Pode que o que tenha escrito não se aplique a toda a gente e felizardos dos que não se identificam em nada com o que escrevi. Mas eu identifico-me. Nem sempre, nem nunca, tenho essas máscaras em mim. Mas sou ainda uma pessoa muito presa ao que me rodeia e sempre me custa imenso desprender de opiniões e de olhares que te vêm de uma determinada forma. Mas também nesse aspecto cresço todos os dias e aprendo com as cabeçadas que levo.

Por isso, há sempre um resto de esperança em um dia ser livre de mim mesma…

Ontem

Ontem eu chorava
Mas tu apenas viste meu sorrir…
Ontem temia por nós
Mas protegi-te de todo o mal…
Ontem meu coração batia
De medo dos passos que dava
Mas olhando para mim vias
A confiança com que deles falava…
Ontem eu era apenas incertezas
Mas meu corpo transpirava segurança…
Ontem descobri que te amava
Mas pedi-te que partisses…
Ontem quis ficar a teu lado
Mas viste-me mudar o meu rumo…
E agora aqui estou
Deparada com o meu hoje
Tão diferente do hoje que imaginas
Sem mesmo ser o hoje que queria…


Boas leituras a todos

Posted by Butterfly at 09:44:51 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, September 18, 2007

Destino

Cá estou…
Na roda desta vida,
No embalo deste destino;
Que não é o escolhido
Mas também não é o oferecido…

Destino…
Palavra que tem
Tanto de fatal como de ambiciosa.
Palavra que não é mas existe…
Palavra que não procura
Mas está em todos os momentos…

Quem o traça?
Nós? Teremos esse poder?
Alguém superior?
Um misto dos dois?

Onde está o meu?
Quando se cruzará com o teu?
E quem és tu que estás nele
Mas não dás ar de tua presença…
Quem és tu
Que te escondes por entre rostos,
Que apenas te dão um novo aspecto
Que apenas me fazem fugir de ti?…

Quando está preparado nosso encontro?…
O encontro dos nossos caminhos,
O clique nos nossos corações,
O brilho em nosso olhar,
O toque…
O aconchego dos nossos corpos,
A união das nossas almas?…

Será que vens?
Estarás sempre disfarçado na solidão?
Estarás sempre encoberto,
Pelo nevoeiro que me cega;
Que me impede de te procurar confiante,
Que não quer que nos vejamos…

Talvez virás…
Creio que virás…
Sei que virás…

Sei que estarás comigo…
Que me tirarás desta solidão…
Desta saudade agonizante,
De um rosto que ainda não conheço…

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Thursday, September 13, 2007

Desejos

Estás em meu pensamento
Loucura minha que não esqueço.
Não consigo apagar da memória
Os momentos a teu lado vividos…
Acabam com a minha calma
Os sentimentos ainda por ti sentidos.
Não te posso ver,
Mas tua presença sinto-a em todo meu ser.
Já não estás ao alcance do toque
Mas cerrando os olhos, a meu lado te sinto.
Querer-te consome todas as minhas forças
E quase me entrego ao desespero,
De a meu lado nunca mais te voltar a ter.
Que faço eu com tanto querer?
Onde encontro a calma e a lucidez,
Para que novo caminho possa seguir?
Ensina-me a não te querer
Como outrora me ensinaste a amar-te…
Guia-me pela estrada do esquecimento
Que te fez esquecer de nós, de mim…
Não sejas constante em meu pensamento
Tal como já não sou eu no teu…
Quero ser de novo feliz
Como a felicidade que imagino no teu rosto.
E se isto verdade não for,
Se ainda permaneço em teu pensamento,
Se há em ti um pouco de mim
E em teu coração um resto do nosso amor,
Então não me faças esperar…
Mata de uma vez toda a saudade
Completa com tua alma a minha,
Que à deriva se encontra.
Vem amor meu
Que com certezas te recebo
E em meu coração poderás encontrar
O lugar que nunca deixou de ser teu.

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Tuesday, September 11, 2007

Apenas o presente

Olá a todos,

No outro dia estava a ouvir umas músicas aleatórias, de uma rádio criada por mim, e eis que passa uma das músicas que sempre me encanta e me emociona. Não sei se por andar numa altura de algumas mudanças na minha vida, ou pelo que seja, a verdade é que realmente esta música recordou-me um pouco da minha infância e da menina cheia de ilusão que eu era.
Ainda tenho um pouco dessa ilusão mas, tal como a música indica, tenho também já um passado que me permite ver agora as coisas de diferentes formas. Às vezes gostava que esse passado não existisse e que pudessemos, a cada dia que nasce, ter a inocência e o espírito destemido e de aventura que tinhamos quando erámos crianças.
Com o passar dos anos adquirimos um estranho medo de nos atirarmos a certas aventuras. Ou porque nos começam a dizer “não achas que já não tens idade para isso” ou porque nós mesmos começamos a pensar no passar do tempo e nos “limites sociais” para realizar determinadas coisas.
A nível profissional é-nos quase exigido que tenhamos uma vida estável antes dos 30, senão cada vez é mais complicado e somos menos aceites na comunidade laboral. Pessoalmente, é um pouquinho semelhante.
Às vezes penso em como seria bom que todos nós ignorassemos que existe um passado atrás das outras pessoas e olhássemos apenas para o presente e as aceitássemos nesse presente. Todos nós caminhámos por lugares errados no nosso passado e todos nós cometemos erros com os quais aprendemos algo e que nos tornaram as pessoas que somos hoje. Mas é no hoje que nós vivemos, por isso, para que estar sempre a olhar para atrás?
Quando vamos comprar uma fruta ou um bolo não dizemos, a quem nos vende, para nos contar toda a história dessa fruta ou desse bolo. Quanto muito questionamos o vendedor sobre a sua frescura, olhamos e vemos o aspecto que tenha, mas não nos interrogamos se a árvore que deu o fruto passou por tempestades, se lhe deu sol demasiado, se caiu chuva em cima da fruta. Não nos perguntamos como foram amassados os ingredientes do bolo ou a que temperatura estava o forno. Apenas saboreamos e tiramos as nossas próprias conclusões de voltar a adquirir o produto ou não.
Claro que não estou a comparar a vida ou mesmo as pessoas a um simples acto de escolher o que comerJ sei que as coisas não são assim tão simples. Mas às vezes arrastamos tanto o nosso passado e o das outras pessoas que deixamos de viver o nosso presente e deixamos de conhecer essas pessoas no seu presente.

Deixo-vos com a música dando relevância à veracidade das palavras, aos elogios simples e belos que são feitos e às duas últimas frases. Aqui se encontra uma grande verdade e uma bonita forma de amar e viver um amor.

Mulher de 40 - Roberto Carlos

“Sorriso bonito, olhar de quem sabe, um pouco da vida
C
onhece o amor, quem sabe uma dor, guardada escondida

Por experiência, sabe a diferença, de amor e paixão
O que é verdadeiro, caso passageiro, ou pura ilusão

É jovem bastante, mas não como antes, mas é tão bonita
E
la é uma mulher, que sabe o que quer, e no amor acredita

Não quero saber, da sua vida, sua história, nem do seu passado
M
ulher de quarenta, eu só quero ser o seu namorado.

Não importa a idade, a felicidade, chega um dia que vem.
Se ela vive feliz ou espera de novo encontrar outro alguém.

Se ela se distrai uma lágrima cai ao lembrar do passado
Seu olhar distante vai por um instante a um tempo dourado.

Retoca a maquiagem, cheia de coragem, essa mulher bonita,
Que já não é menina, mas a todos fascina e a mim me conquista.

Não quero saber da sua vida, sua história, nem do seu passado,
Mulher de quarenta, eu só quero ser o seu namorado.

Não quero saber da sua vida, sua história, nem do seu passado,
Mulher de quarenta eu só quero ser o seu namorado.”

Encontrei também no youtube um conjunto de slides e frases sobre as mulheres de 40, tendo por base a música acima colocada. Está engraçado.

alt : http://www.youtube.com/v/ac2_ilmzFQ0

Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 10:27:30 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 5, 2007

Conversa para turista

Olá a todos,

Hoje serei breveJ. Estava eu, e continuo a estar, sentada aqui numa cadeira em frente ao meu computador, na sala da empresa onde me encontro a trabalhar, quamdo me chega aos ouvidos uma conversa deveras interessante. Bem, se soubessem onde trabalho ficariam mais elucidados. A verdade é que a empresa tem uma localização precisosa no meio de Salamanca com vista para uma igreja e para um palácio (de uma duquesa que, segundo dizem, tem mais dinheiro que a família real). Aqui em Salamanca são frequentes as visitas turísticas lideradas por um senhor/senhora que vai elucidando as pessoas sobre o que é cada coisa, a sua história, os porquês da sua existência e de cada pormenorzinho na sua fachada. Era trabalho que não queria, sou sincera. Passar anos da minha vida a repetir a mesma história vezes sem conta, tentando rir-me de alguma piada que para mim se tornaria apenas mais uma linha do texto que teria de dizer… bem, não é certamente apelativo.

Mas já me perdi. Ah, sim é verdade. Pois num destes momentos em que, não sabemos bem porque, a música dos nossos phones deixa de se ouvir, comecei eu a ouvir a história deste palácio. E lá ia o homem dizendo (era um guia) quando tinha sido construido, a quem pertencia, enfim um pouco da sua história. A certa altura começa a dissertar sobre alguma das formas que se encontram nas paredes (não tenho a mínima ideia de qual). Começa a contar alta história sobre o porque de ter-se colocado ali e tal e coisa e ocorreu-me a razão deste postJ. Veio-me à ideia que um dia qualquer, numa dessas excursões, por aqui por Salamanca ou por outro qualquer lugarJ poderia vir de repente alguém e gritar: “não se deixem enganar, isso foi posto aí porque lhes apeteceu e não por razão nenhuma histórica. Foi construído sem qualquer nexo e sem qualquer razão de ser.”

Devia ser engraçado ver as caras dos que admiravam a arquitectura com a sua lógica e razão de ser. 

É como aqueles autores que nos “obrigam” a ler e dissertar sobre eles na escola. Temos de pensar no porque das suas palavras e qual o sentimento que tentaria transmitir. Andamos a tentar dissecar a cabeça dos escritores, para encontrar uma lógica nas suas palavras, de preferência relacionada com o seu estado de espírito ou com a sua personalidade. Muito gostaria que um deles viesse dizer: “é pá escrevi isso porque me pareceu que ficava bem aí essa frase” ou “juntei umas palavras ao acaso e daí a confusão que não tem qualquer sentido por isso deixem de o procurar”. Por exemplo, imagine-se o que seria Fernando Pessoa chegar (se pudesse claro) e dizer: “eu não pensava que tinha três pessoas dentro de mim são malucos ou que, apenas me apeteceu escrever por várias pessoas” (com todo o respeito a quem analisa Fernando Pessoa e a si mesmo).

Teria a sua piada não? Bem talvez não, mas eu acho que sim.

Afinal não fui breve… e o engraçado é que podia ter eleminado a frase do início e não colocar esta nem esta explicação sem sentido mas… bem hoje realmente está tudo um pouco sem lógica:)

Boas leituras a todos.

 

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Monday, September 3, 2007

Carta sem remetente

“Olá minha razão de viver,

através destas linhas tento expressar o que dentro de mim palpita. Desde a tua partida que tudo o que me rodeia perdeu o sentido e já nem os passos que dou têm um objectivo definido. Vagueio pelas ruas onde passeei outrora de braço dado contigo. Nesse tempo tudo era belo, de cores vivas e sons melódicos. Agora tudo me parece cinzento, sem qualquer calor, sem qualquer vida. Procuro um pouco de ti nos passos que dou, para assim tentar encontrar o que contigo partiu. Em vão percorro os mesmos lugares, converso com as mesmas pessoas, olho para um determinado pormenor por ti mencionado, como uma descoberta feita por um menino. Já não estás sentado na mesma mesa do café, que nos era tão familiar. Já não lês o jornal, que sempre te indignava, mas que nunca deixavas de ler: “é preciso estar informado para poder criticar” – dizias, e eu como menina te admirava e te ouvia. Para mim tua voz era música e tuas palavras sabedoria. Sempre encontravas um jeitinho suave de me tirar da ignorância dos meus poucos anos de vida e experiência, pois só quando te encontrei comecei a viver.

Para onde foste, para onde partiste, porque já não te sinto perto? Antes, simplesmente fechava os olhos e estavas comigo, agora tua ausência é mais forte e já não te consigo sentir tão claramente, apenas nos sonhos que tenho acordada.

Li todos os teus livros, em busca dos teus olhos que por aquelas páginas passaram. Reli todas as cartas que me enviaste, procurando tuas mãos na tinta que foste moldando ao papel. Apertei bem forte a tua roupa, em vão tentei sentir de novo o teu corpo junto ao meu. Aninhei-me na cama, onde te amei e fui por ti amada. Agora já não tem sentido o amarrotar dos lençóis. Pus o teu perfume, tentando que teu aroma voltasse, personificado, para mim. Foi inútil.

Partiste vida minha e agora…?. Eras tu que davas sentido às coisas, que me mostravas o mundo de uma forma única, como se o pintasses numa tela ou o descrevesses num poema. Pela tua mão aprendi a amar, renasci em ti e cresci contigo. A teu lado não havia medos nem insegurança. Eras a minha força e o meu amparo. Ainda sinto a tua mão forte levando-me pela vida, ainda tenho em meu coração o calor do teu amor.

Espero ansiosa que me leves para junto de ti, me guies de novo por essa vida para mim desconhecida. Em meu coração palpita ainda o amor que apenas a ti pertence. Jamais modificará, nunca outro o receberá. Estas linhas perdidas no Universo perpectuam o nosso amor. Serei sempre tua, serás sempre meu.

Despeço-me com um beijo, um daqueles tão nossos, dizendo-te que sempre serás meu amor, meu amigo, meu companheiro, minha vida…”

Autoria: Anónima

Para que vejamos que as coisas mais simples da vida são as mais memoráveis. As pequenas coisas e pormenores são as que na nossa memória guarda e dá valor. Além disso, a recordação é também, normalmente, invadida apenas das coisas boas pelas que passámos. As coisas más da vida são escritas na areia e o vento ou o mar levam. As boas ficam bem gravadas na pedra, quase impossíveis de desaparecer.

Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 09:20:40 | Permalink | No Comments »