Wednesday, September 19, 2007

As máscaras que usamos

Porque fingimos sempre ser quem não somos? Em alguma parte da nossa vida, em relação a alguma coisa dela, acabamos por nos mascarar de uma personagem que em nada tem a ver connosco. Ou a nível profissional ou pessoal. Porque?
T
entamos mostrar-nos mais independentes do que realmente somos, sem mostrar nossas carências e nossas fraquezas, só para que não tenhamos de lidar com a preocupação e o cuidado de outros. Mas depois sentimo-nos sozinhos por os outros nos verem assim, e realmente não nos apoiarem mais vezes. Ou então mostramo-nos mais frágeis do que realmente somos, só para que andemos sempre a ser levados nas mãos dos outros. É uma forma relaxante. Assim, se algo corre mal, sempre podemos culpar quem nos “carregou” no caminho que seguimos.


A verdade é que nos mascaramos a nós mesmos. Acabamos por acreditar na pessoa que vemos ao espelho e não vemos o que está por detrás disso. Mas é também real que com essas máscaras nos sentimos mais confiantes e mais seguros em determinadas circunstâncias. O pior é quando nos vemos claramente e sentimos o engano que vivemos.

É sempre mais fácil acreditar na parte negativa que dizem de nós do que na parte positiva. Quando não deixamos que as pessoas nos vejam como somos, elas interpretam-nos como nos vêm e acabam por nos caracterizar de tal maneira que acreditamos nessa personagem que criámos. Torna-se difícil sair dela. E às vezes saímos da maneira mais errada que podíamos, pois escolhemos o caminho inverso. Extravasamos e agimos de maneira completamente diferente da que esperam de nós. E aí não deixamos de ter uma máscara, apenas criamos outra que se coloca por cima. E assim vamos criando capas sobre capas sem que realmente nos deixemos descobrir.

Porque é assim tão difícil nos “desnudarmos” em frente às pessoas? Afinal de contas defeitos todos nós temos e, no seu estado puro, acabamos por ser iguais no mais básico do nosso ser. Todos nós temos medos, inseguranças, dúvidas… Todos nós damos as nossas facadinhas na vida e temos os nossos esqueletos no armário. Igual a todos os outros, também os nossos telhados são de vidro e por isso não devemos atirar pedras. Todos nós cometemos erros e fazemos ou já fizemos coisas que dissemos um dia nunca as fazer. Então se os outros são tão “iguais” a mim, porquê o medo em nos mostrarmos. Ou mesmo porque temos de ter tanto medo do que as outras pessoas pensam ou acham de nós. Porque temos de viver com esse peso e responsabilidade? Se nos criam e nos formam de certa maneira não deveriamos, a determinado momento, ser livres e sentirmo-nos livres? Então porque ainda temos tantas amarras.

Pode que o que tenha escrito não se aplique a toda a gente e felizardos dos que não se identificam em nada com o que escrevi. Mas eu identifico-me. Nem sempre, nem nunca, tenho essas máscaras em mim. Mas sou ainda uma pessoa muito presa ao que me rodeia e sempre me custa imenso desprender de opiniões e de olhares que te vêm de uma determinada forma. Mas também nesse aspecto cresço todos os dias e aprendo com as cabeçadas que levo.

Por isso, há sempre um resto de esperança em um dia ser livre de mim mesma…

Ontem

Ontem eu chorava
Mas tu apenas viste meu sorrir…
Ontem temia por nós
Mas protegi-te de todo o mal…
Ontem meu coração batia
De medo dos passos que dava
Mas olhando para mim vias
A confiança com que deles falava…
Ontem eu era apenas incertezas
Mas meu corpo transpirava segurança…
Ontem descobri que te amava
Mas pedi-te que partisses…
Ontem quis ficar a teu lado
Mas viste-me mudar o meu rumo…
E agora aqui estou
Deparada com o meu hoje
Tão diferente do hoje que imaginas
Sem mesmo ser o hoje que queria…


Boas leituras a todos

Posted by Butterfly at 09:44:51
Comments

One Response to “As máscaras que usamos”

  1. Anonymous says:

    Identifico-me com seus escritos.
    Interessante quantas mascaras temos que lançar mão para esconder nosso próprio ego. Pois se enfrentarmos os nossos medos, incertezas e fraquezas, descobriremos e libertaremos nosso verdadeiro eu.

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