Wednesday, January 23, 2008

“Sem ponto final”

Olá a todos,

terminei de ler um livro, que não posso deixar de o comentar aqui. Não o faço somente por ter sido escrito por alguém que cruzou a minha vida e não a deixou igual, mas também por ser uma obra que, na minha opinião, deveria ser lida por muita gente (talvez conseguisse abrir mentes).

O livro chama-se “Sem ponto final” e a autora é Julieta Ferreira. Não me vou perder a contar a história, até porque nada se compara à leitura da mesma. Mas a verdade é que, quando algo nos diz tanto, temos uma tendência nata para o comentar.

Ao ler o livro, não consegui deixar de fazer algumas comparações entre as personagens e as pessoas que me rodeiam, mulheres e homens. Por isso, talvez considere que não seja um livro “fácil” de ler para toda a gente. Nem sempre conseguimos assumir que o que estamos a ler é um espelho do que somos e, por vezes, tomar conciência dessa realidade pode ser bastante difícil de encarar.

E é nisso que este livro é diferente. É um romance, sim, mas muito para além de uma história inventada na cabeça da autora, tem grandes verdades expostas naquelas linhas. Verdades que custam a todos assumir, verdades sobre as relações entre homens-mulheres, dos dias de hoje e um pouco desde sempre (mas mais encoberto). A emancipação da mulher, nem sempre vista com bons olhos por alguns homens e muitas vezes, menos ainda por outras mulheres; a liberdade de escolha; a não aceitação passiva das coisas apenas por medo ou por ficar bem na sociedade; o encarar de frente situações completamente desconhecidas, que podem atirar-nos para um mundo do qual nunca pensámos fazer parte; tudo isso e muito mais é motivo de crítica, por quem reorre à aceitação e passividade perante a vida.

No entanto, o livro pretende mostrar exactamente o contrário. É um ponto de vista, diferente do que é comum falar-se, mas partilhado por muitas pessoas, onde a crítica não é o objectivo, nem a escrita é feita dessa forma.

Entre aventuras e desventuras, a personagem principal vai conhecendo-se cada dia um pouco mais, apesar dos seus já 50 anos de algumas experiências, mas a verdade é que nunca deixamos de nos surpreender e de aprender algo sobre nós, por mais idade que tenhamos. As sincronicidades que ocorrem na sua vida, as pessoas que a cruzam, as amizades de longa data, umas conservadas outras rompidas, vão guiando a personagem numa busca de si mesma, tentando alcançar algo que todos procuramos, mas nem sempre sabemos identificar quando temos: a felicidade.

Por vezes, consideramos ser felizes até que um dia algo abana as nossas crenças e, fazendo cair o pano que nos venda os olhos, mostra-nos uma realidade com a qual não sabemos muito bem como lidar, pelo seu carácter desconhecido. Algumas pessoas, ignoram, voltam a colocar outro pano e esquecem o momento de lucidez que presenciaram. Nunca mais me esqueço da peça, que vi em Salamanca, intitulada “Assim é se assim lhe parece”. Por outro lado, nesse momento de percepção, dolorosa ou libertadora, há quem agarre essa nova realidade e mude a sua vida, parecendo incoerente aos outros, por nunca assim ter agido, mas sentindo como que um renascer interior, que se espelha no esterior.

É sempre bom estarmos atentos e não ter medo das mudanças de ideias, opiniões, sensações que vamos tendo ao longo da nossa vida. São elas que a tornam especial e boa de ser vivida.

Aconselho o livro como forma de reflexão, como uma boa história com grande probabilidade de ser verdadeira e como uma aprendizagem do que, por vezes, queremos ignorar, mas está à nossa volta e também em nós. É um desassossegar, talvez necessário, das nossas ideias e vida.

Um agradecimento grande à escritora Julieta Ferreira por ter cruzado a minha vida e por presentear a literatura portuguesa com os seus trabalhos, nomeadamente este. Espero que possam ter o privilégio de ler.

Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 15:53:35 | Permalink | Comments (2)

Friday, January 18, 2008

Quando?

Quando foi a última vez?
Que demos as mãos,
Numa cumplicidade quase perfeita?
Que nossos olhares se trocaram
Sem que tivessemos medo
De ver o que deles transparecia?
Que nossos corpos se tocaram
E um arrepio nos percorreu,
Não querendo perder contacto,
Sem quase contermos o desejo sentido?
Que eu e tu fomos um só
O mundo foi esquecido
E apenas um leito desalinhado
Testemunhou a união de nossos corpos e almas?…
Quando foi a última vez?…

Posted by Butterfly at 18:05:24 | Permalink | No Comments »

Tuesday, January 15, 2008

O cérebro humano

Não me canso, por mais vezes que já tenha ocorrido, de me espantar com o cérebro humano. Possivelmente no animal ocorre igualmente mas não tenho conhecimento suficiente para dissertar sobre o mesmo.

É engraçado como a forma de guardar o conhecimento e a selecção que é feita, pelo cérebro, dos acontecimentos ocorridos influencia diariamente, por momentos relâmpago ou por largos períodos, a nossa forma de estar, de olhar, de sentir, de pensar e de se expressar.

Em determinadas pessoas, pelas experiências vividas ou pela própria personalidade, o cérebro tem já uma tendência para passar flashes de maus momentos, coisas tristes, situações desagradáveis ou algo assim. Isto torna a pessoa, cada dia, ainda mais amargurada e deprimida, não conseguindo abstrair-se daquilo que no passado lhe aconteceu e olhando por uma perspectiva “negra” o que no presente lhe acontece e o que no futuro está. Neste caso, o cérebro faz, cada vez mais, uma selecção de pensamentos menos bons.

Por outro lado, pelos mesmos motivos, há pessoas que sorriem à vida. O seu semblante é reluzente e transmitem bem-estar a quem com elas convive. O que lhes sucede é olhado por uma perspectiva positiva, retirando sempre o que de bom teve esse acontecimento.

Há também os cérebros indecisos :) que captam meio por meio :). Eu penso que estou num destes casos, mas mais um 80% de boas recordações e 20% de menos boas.

E porque é que me debrucei, logo hoje, sobre isto?

Já há algum tempo vagueia por breves segundos na minha cabeça, memórias da minha estadia em Salamanca. Apesar de ter vindo embora, de não estar lá o caminho que queria seguir e de não me arrepender em nada da decisão que tomei, foi realmente um tempo muito bem vivido. Não imagino, mesmo nada, a minha vida sem ter passado por Salamanca. Talvez por isso, nesses breves flashes que o meu cérebro me presenteia, mesmo quando estou a trabalhar e sem qualquer pensamento no passado, sorrio e o meu rosto descontrai do estudo que tenho em mãos. Não me lembro de viver um ano tão rico em tudo e a verdade é que ter ficado mais tempo em Salamanca poderia tornar monótono o sentimento de espanto e curiosidade, um pouco criança, de tudo o que ali vivi.

Apenas e simplesmente quis anunciar neste cantinho o meu sentimento neste momento :) e dar também um pouco de uso à ponta dos dedos :) sem ser em trabalhos. Como o tempo encurta, não saiu a dissertação que pretendia, mas deixo a proposta de que todos pensemos nos flashes que queremos que o nosso cérebro emita. Está em nós a função de educar a nossa máquina pensadora para que esta guarde cada vez mais o bom e deixe o menos bom voar com a brisa que nos toca e logo parte.

Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 17:30:47 | Permalink | No Comments »

Monday, January 7, 2008

Uma boa surpresa

E ainda dizem que não há beleza nas coisas simples da vida.

O meu presente de ano novo chegou através das palavras de alguém que, após várias tentativas de o pôr a escrever, me presenteou com um devaneio seu:)

Na minha humilde e sinsera opinião está lindo, continua.

Aqui vos deixo esse devaneio.

Sonho

Esta noite
visitaste-me em sonhos
Senti o calor da tua face próximo da minha
Teu olhar vago fixou meus olhos
enquanto eu prescrutava no fundo dos teus
a tua alma, o teu coração…
Varri tua face em busca de teus lábios…
não os toquei…
não se tocaram…
Lentamente,
pousas-te tua cabeça sobre o meu peito
e fechaste teus olhos.
Fiquei suspenso
debatendo-me com meus sentimentos
Seria a minha… a tua vontade?
Seria o meu… o teu querer?

Esta noite
despertei de um sonho.
Podia ter sido algo mais….
Desejei que fosse algo mais…
Mas não passou disso mesmo,
de um sonho…
doloroso de acordar.

Boas leituras a todos.

Posted by Butterfly at 16:19:45 | Permalink | No Comments »

Wednesday, January 2, 2008

Um resumo alargado

Olá a todos,

antes de mais Bom Ano a todos sem excepção. Não me vou perder em explicações sobre a minha ausência deste cantinho, até porque ultimamente tenho falhado encontro com diversos outros espaços tão só meus…

Passou mais uma época natalícia e mais um ano terminou para dar início a outro. No que respeita ao Natal posso dizer que recebi importantes presentes como a visita a Aveiro de uma minha querida escritora e penso que um pouco já amiga, Julieta Ferreira. Foi um dia em que pude ter a honra de ser sua guia pelas ruas de Aveiro, a praia da Barra e de lhe dar a conhecer alguns dos petiscos que deleitam quem por lá passa. Mais uma vez confirmei a simplicidade e força que esta mulher tem. Mas pude também presenciar a inocência com que aprecia as pequenas coisas, o brilho nos seus olhos perante a beleza da cidade e dos enfeites natalícios. Foi realmente um dia diferente e muito bom.

Relativamente aos outros presentes, foi a possibilidade de rever os meus primos e os meus tios. Não foi por uma boa razão, é bem verdade, mas poder dar um abraço em cada um deles soube-me mesmo bem. Não tem nada a ver com a época natalícia. Simplesmente já há algum tempo que os nossos caminhos não se cruzavam, por impedimento meu ou deles e então foi muito bom mesmo poder revê-los.

De resto para mim o Natal passou normalmente. Há certas rotinas que faço, mas que já lhes perdi um pouco o sentido. É quase como num casamento, fazemos determinadas coisas porque já é habitual assim mas há muito que se perdeu o sentido do porquê as fazer.

A passagem do ano foi de arrombaJ. Consegui estar com grande parte dos meus amigos, ficou a faltar uma pessoa habitual nestas andanças, mas correu tudo pelo melhor. Fomos bem servidos a nível de comida (sempre em exagero nestas noites), bebida (na medida certa) e musical. Mas é engraçado a perda de significado que tenho vindo a ter relativamente a este dia. Para mim, ao longo do ano, celebro datas mais marcantes do que esta. Nas viragens que dou na minha vida, no mudar de página e no encerrar de uma etapa para começar outra, é aí que encontro o meu novo ano. Normalmente, nesta altura, já estou numa fase de continuidade e não de mudança. No ano passado, já estava em Espanha quando foi a viragem do ano e este ano já me encontro cá, a começar de novo uma etapa da minha vida.

Por isso, para mim a noite de passagem de ano tem outro significado. É quando eu consigo reunir-me com todos os amigos que, por diversos motivos, não me consigo reunir ao longo do ano em jantaradas e afins. E por isso, embora tenha sido um escândalo os preços este ano foi um bom sacrifício.

Bem, sem me alongar mais, termino esperando que este ano seja para todos um motivo de comemoração diária e que as adversidades que possamos encontrar sirvam apenas para apreciarmos devidamente todas as benesses que nos aconteça.

Um bom ano a todos repleto de boas leituras.

Posted by Butterfly at 21:57:22 | Permalink | Comments (1) »