Viragem
E com ele me reconcilio
Deixando esquecidas as lembranças
Que outrora uma lágrima em meu rosto colocavam,
Lembro-me de ti…
Do teu rosto a olhar-me
Sempre com ar de menino,
Umas vezes feliz, outras assustado
Sem saber o que sente
Com medo que o mundo nos afaste;
Do teu corpo de homem
Que me acolhe e me ama;
Da ternura dos teus gestos
E das palavras ditas,
Gestos que me acarinham
Palavras que me ensinam…
A cada passo que dou
Já não choro a recordar
Apenas sorrio ao pensar
Em quem meu coração roubou…
Quando foi a última vez?
Já há algum tempo vagueia por breves segundos na minha cabeça, memórias da minha estadia em Salamanca. Apesar de ter vindo embora, de não estar lá o caminho que queria seguir e de não me arrepender em nada da decisão que tomei, foi realmente um tempo muito bem vivido. Não imagino, mesmo nada, a minha vida sem ter passado por Salamanca. Talvez por isso, nesses breves flashes que o meu cérebro me presenteia, mesmo quando estou a trabalhar e sem qualquer pensamento no passado, sorrio e o meu rosto descontrai do estudo que tenho em mãos. Não me lembro de viver um ano tão rico em tudo e a verdade é que ter ficado mais tempo em Salamanca poderia tornar monótono o sentimento de espanto e curiosidade, um pouco criança, de tudo o que ali vivi.
Passou mais uma época natalícia e mais um ano terminou para dar início a outro. No que respeita 
Às vezes dá medo estar connosco, pararmos um pouco e analisarmos a nossa vida, quem somos e em quem nos transformámos. Tememos e adiamos esse encontro com a introspecção à nossa vida. Evitamos as perguntas: “quem sou?”, “que caminho estou a dar à minha vida?”, “que importância tenho eu no que me rodeia e que diferença causo no mundo em que vivo?”.
Fiquei hipnotizada pela lua