Tuesday, November 13, 2007

Paixão não vivida

Olá a todos,

hoje fui ver um filme deveras encantador e que, para não variar, abriu a torneira das minhas emoções… Já há algum tempo que isso não acontecia e, confesso, que já lá tinha muita água guardada. O filme intitula-se: “
Becoming Jane” retratando a infância de Jane Austen.

A questão que não me sai da cabeça, passo a partilhá-la convosco, meus leitores deste cantinho virtual: quando um grande amor não pode ser vivido, será mais forte a dor de seguir um caminho sozinha ou a dor de saber que nunca se pode amar plenamente quem está a nosso lado? Há quem opine que ao nos contentarmos com algo menor é uma traição ao sentimento que nutrimos por outrem. Outros porém, consideram que o amor pode aprender-se e pode ser construído, completando de certa forma a nossa vida, ainda que algo maior tenha sempre um lugar e uma presença. 

Sinceramente, não vos consigo, neste momento, passar a minha opinião. O infortúnio de não se poder viver uma grande paixão, permitam-me que faça esta diferença, é, por si só, uma dor inigualável. É sentirmos que, por mais que caminhemos na nossa vida, não temos o companheiro de viagem que tornaria a caminhada perfeita.

Explico, tentando ser breve, o porque de ter escrito: “uma grande paixão” e não “um grande amor”. Para mim, na inocência dos meus quase 26 anos, o amor é algo que se vai construindo e que vai crescendo com a convivência, com as experiências partilhadas, com as dificuldades ultrapassadas. A paixão, pelo contrário, é algo de instinto, um arrebatamento que nos faz perder a razão e cometer loucuras. É carnal, místico, uma química partilhada ou contida num só corpo. A paixão é turbulência, o amor é tranquilidade. Por paixão arriscamos tudo, por amor aprendemos a dar liberdade e a colocar a outra pessoa como prioridade. Pode amar-se eternamente, a paixão é efémera.

Bem, já me alonguei…

O filme, mais volta menos volta, retratava exactamente isso. Jane Austen, uma célebre escritora, autora de Orgulho e Preconceito, transmitiu para os seus romances e para as suas personagens um pouco da sua vida. Mas o final que deu a todas as personagens dos seus romances, foi o final que nunca conseguiu alcançar na sua vida. Através do papel e da escrita, Jane criava as realidades que por ela não podiam ser vividas. A grande paixão e amor da sua vida, nunca vividos. Nesse amor, as personagens intervenientes tomaram rumos distintos. Ela, corajosamente dada a época em que viveu, optou por uma vida de isolamento amoroso, refugiando-se e vivendo da sua escrita. Ele, porém, seguiu a sua vida, casou, teve filhos mas nunca esqueceu ou conseguiu apagar o sentimento que, desde sempre, nutriu por Jane. Qual dos dois era mais feliz?

Mas teria essa paixão sido transformada em amor se não houvesse a impossibilidade? Teriam eles resistido ao dia-a-dia, onde a paixão lentamente desaparece e toma um carácter mais calmo e menos arrebatador? A impossibilidade dessa paixão e não viver a mesma, acaba por ser a razão pela qual se torna tão intensa e presente, sem que desapareça ao longo dos anos. Uma vez, num outro filme também já aqui referido (Antes do amanhecer) o protagonista dizia mais ou menos assim, para tentar convencer a protagonista a sair do comboio e partilhar com ele uma única noite em Viena – Áustria: “considera esta noite como uma oportunidade para viveres bem no teu futuro. Imagina-te daqui a uns anos, junto do teu marido e a olhar para trás e pensar em mim, um estranho que conheceste, te despertou um certo interesse. Aí perguntas-te como teria sido se saísses com esse estranho do comboio, em que medida isso alteraria a tua vida. Saíres comigo agora é a oportunidade que tens de ver que sou uma pessoa igual às outras, com defeitos e virtudes, com conversa que se repetirá ao longo dos anos e que afinal sou tão enfadonho e deprimente quanto a pessoa que está ao teu lado, nesse futuro”.

É interessante e realmente concordo bastante com este ponto de vista. Às vezes, o facto de não vivermos as histórias de paixão ou de não arriscarmos mais em determinados momentos, faz com que esses momentos adquiram uma importância demasiado grande e intensa dentro de nós. Provavelmente, se as vivêssemos iríamos considera-las banais e corriqueiras. Mas como não o fazemos, tornam-se místicas e desconhecidas, colocando-nos sempre a questão: e se…?

Não só aplicável às paixões ou amores, mas também a projectos ou a situações que se cruzam no nosso caminho todos os dias, devemos, dentro dos possíveis, viver as coisas. Ficarão sempre caminhos por percorrer, haverá sempre “e ses”, e com certeza haverão desilusões e alegrias. Mas, na opinião desta leiga de quase 26 anos, penso que mais vale nos arrependermos de algo que fizemos do que nos remoermos toda a vida por algo que não sabemos como seria. Claro que tudo isto dentro do razoável e respeitando sempre a liberdade dos outros.

Para quem ainda não o fez, vejam o filme. É lamechas simJ, mas é também um pouco histórico e, acima de tudo, real.

Boas leituras…

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Thursday, February 15, 2007

Lutar pelo que se ama

Olá a todos,

Ontem estive a ver o filme “Diário da nossa paixão” e, mais uma vez, me apercebi porque me emociona tanto esta história.
Para quem não conhece, trata-se de uma história de amor entre duas pessoas, que permanece ao longo dos tempos. Na sua velhice ela, que sofre da doença degenerativa Alzheimer, já não reconhece o seu companheiro de uma vida. A maneira que ele encontra para fazer com que ela tenha, mesmo que por breves instantes, conhecimento da vida que passaram juntos é ler-lhe todos os dias um diário. Nele está descrita a forma como o amor entre eles começou, as dificuldades por que passou até finalmente estarem juntos para a vida.
Banal? Sim, é verdade. Mas surpreendam-se ao saberem que esta é uma história verídica. Este grande amor e dedicação existiu. Nicholas Spark apenas a imortalizou em alguns dos seus livros. Sim, é verdade, porque após a morte da mulher e, dada a adoração que ela tinha pelas aves, ele passau o resto dos seus dias em passeios pelo lago junto com as gaivotas e os cisnes.

Penso que é maravilhoso que histórias assim ainda existam. Que ainda haja pessoas que, tal como a personagem masculina diz: “sei que o meu nome não será recordado, nem terei nenhuma estátua em minha homenagem. Mas num aspecto eu tive um êxito tão glorioso como qualquer outra pessoa: amei alguém com todo o meu coração e toda a minha alma e, para mim, isso sempre bastou”.

É incrível e admirável quem luta pelo que ama, com todas as suas forças. Nisto refiro-me não só a amor entre pessoas. É igualmente admirável quem luta por um sonho e por um objectivo, quem ama um projecto de vida com todas as suas forças que faz com que ele se realize e que, mesmo passando pelos mais adversos obstáculos, nunca desiste. Só assim a vida tem sentido, quando nos entregamos a alguém ou a algo com todas as nossas forças e toda a nossa dedicação. Não falo em obseção, falo numa dedicação que se contenta com efémeros instantes de reconhecimento, mesmo que depois a luta continue e se volte quase à estaca zero. O importante é nunca desistir.

Vejam o filme e consigam retirar o maior número de sensações e exemplos de vida possíveis.
Há ainda outros aspectos que me fazem gostar deste filmes. Entre eles estão a música, as paisagens e as aves. A estas últimas lhes dedico o que a seguir se segue.

A todos boas leituras.

Bird

Tu, que conheces o mundo
De um ponto de vista tão superior…
Tu que segues, ao sabor de uma brisa maior
De um voo mais alto,
De uma liberdade que é tua…

 

Como invejo a tua liberdade,
O teu poder de independência,
A tua capacidade de
Em gestos ágeis, percorreres o mundo,
Conheceres várias vidas,
Decidires o teu destino,
Escolheres o teu porto,
Por um dia,
Por algumas horas,
Ou por instantes céleres…

Como invejo essa tua inocência,
De acreditares
Que podes percorrer as maiores distâncias
Sem que te parem,
Sem que te importunem,
Sem a obrigação de voltar…

Como invejo essa tua destreza,
Inteligência nata,
Que te faz sobreviver,
Sem amarras, sem dependências,
Sem tempos, sem cuidados…

És lindo, são lindos todos os teus,
Esses que nesta manhã,
Em que me encontro com as minhas amarras
Com os meus deveres e cuidados,
Não abandonam a minha janela,
Exibindo a sua beleza,
A sua destreza,
Enfim, a sua LIBERDADE…

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Saturday, February 3, 2007

Favoritos

Olá a todos

hoje vou falar-vos de dois dos meus passatempos e do top dos mesmos.

Os passatempos são ler e ver filmes J. No top estão, respectivamente “A filha da minha melhor amiga” de Dorothy Koomson e a dupla “Before Sunrise”, “Before Sunset” de Richard Linklater com Ethan Hawke e Julie Delpy.


Começando pelo livro. Uma das críticas feitas na contra-capa do livro é mais ou menos assim: “Não consegui parar de chorar e rir desde as primeiras páginas”. Comigo passou-se de igual forma. Não posso dizer que seja um livro com uma história deveras surpreendente ou inovadora. Nem mesmo posso dizer que não tenha as suas partes previsíveis. No entanto, é um livro muito real, repleto de sentimentos muito verdadeiros, com uma lição de vida explêndida. Torna-nos um pouco mais humanos lermos histórias assim. Pelo menos a mim pôs-me a pensar. Passamos pela nossa vida a dar importância a coisas supérfulas esquecendo as mais importantes como a amizade de quem está sempre do nosso lado. Planeamos demasiado a nossa vida sem nos darmos conta que de repente tudo muda e deixa de ser como pensávamos que ira ser.
Enfim, e muitas outras coisas, mais pessoais, que mexeram um pouco comigo. O livro está muito bom mesmo, por isso aconselho-o vivamente.

Quanto aos filmes são de uma simplicidade genial. Em “Before Sunrise” duas pessoas conhecem-se e decidem viver intensamente uma única noite, passeando e apaixonando-se enquanto percorrem as ruas de Vienna de Austria. No fim combinam encontrar-se 6 meses depois desse dia/noite.
O segundo filme, “Before Sunset” aparece 9 anos depois, promovendo um reencontro passado 9 anos reais entre essas duas pessoas. A genialidade destes dois filmes está na forma tão real como se conseguiu traspor para a ficção uma história simples de um relacionamento entre duas pessoas que começa por um momento e que, por não ter um fim, por ter ficado sempre algo por resolver, muda a vida de duas pessoas. Para os rapazes/homens é muito bom, para compreenderem um pouco as raparigas/mulheres
J. Para as raparigas/mulheresJ, muitas se podem rever um pouco nestes dois filmes. Para o público em geral é… refrescante e interessanteJ.

Por hoje é tudo J. Boas leituras.

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